Jan 3rd, 2012
by Camila S..

Pierrot le fou
Queria fazer filmes para registrar como a noite se mostrou daquela vez, como a lua se exibia e como o vento soprava. Como as pupilas se dilatavam e contraíam, como as garrafas e os copos se acumulavam. Como aquele banco parecia solitário. Como foi a última parada, como a noite se resumiu e como a luz do dia entrava pela janela. Como estava a manhã e como a tarde acabava.
Mas só mesmo com palavras se afirmaria que aquela foi a última vez que aquilo aconteceria.
Posted in: A insustentável leveza do ser, demasiado humano, Melancólicas.
Tagged: the end
Nov 14th, 2011
by Camila S..

Ryan Thomas Kenny
Somos todos
substitutos
Buscando
substitutos.
Tentativas de
reviver algo
Talvez perdido.
Reverberação.
Espectro de
uma ideia
Talvez nunca
vivida.
Substituída.
Posted in: Uncategorized.
Sep 18th, 2011
by Camila S..

Nicholas Hugues
Ilunga (tshiluba) – uma pessoa que está disposta a perdoar qualquer maltrato pela primeira vez, a tolerar o mesmo pela segunda vez, mas nunca pela terceira vez.
Os olhos permaneceram deitados sobre o ponto final enquanto a mente saiu rumo a divagações. Visitou lugares abandonados, colocou retratos em movimento, tirou a poeira dos discos encostados, voltou trazendo o gosto amargo à boca.
Fechou os olhos, tirou os óculos e tentou esfregar o cansaço com os dedos. O telefone vai ficar onde está. Talvez haja sabedoria nas palavras que ecoam pelas gargantas do Congo.
Posted in: demasiado humano, Os Frutos do Ócio.
Tagged: opacidade eterna de uma mente que lembra demais · palavras mais difíceis de serem traduzidas
Apr 14th, 2011
by Camila S..

George Hoyningen-Huene
O dia começou com uma mentira. Continuar com a verdade: inviável.
Ônibus, passar o tempo. A volta, sem gaguejar, a voz com traços de indignação. Simulação, dissimulação, insubordinação. O sono era muito, a cama era o fim.
A noite começaria com uma mentira. Qual o mal em fechar as cortinas e encerrar a peça?
Sem mentiras.
Um bar, mais pessoas do que originalmente se esperava. Conheço, conheço, um mar de desconheços. Mais e mais os bares fecham cedo. Gostava da época em que a peregrinação etílica se dava por conta própria, não por razões alheias.
Um grupo, alguns. Uma dupla. Mais de 1000 caracteres antes mesmo de passarem a ser limitados a 140. Garrafas e abomináveis copos plásticos. Risadas e a proteção do álcool contra o vento frio.
O dia vem e todos têm de se esconder nos subterrâneos. Uma despedida desajeitada.
Acaba assim? Há público interessado…
Era só o piloto da série.
Posted in: cotidiano, l'amour.
Tagged: flashes · roteiro · uma noite em 2010
Mar 14th, 2011
by Camila S..

Sergey Loie
Minha poesia
Rima com nada
Desmedidamente
Calculada
Num dedo de prosa
Um pouco dessa vida
Desregrada.
Posted in: poetenhando.
Tagged: dia da poesia · vamos brincar de ser pueta
Feb 16th, 2011
by Camila S..

Peter Maurer
Escreveria sobre pessoas sem nome diante do inominável. Escreveria sobre o que o vento leva e sobre o que ele nem sempre traz. Escreveria sobre a juventude que corrói a pele até não ser mais. Escreveria sobre a alquimia moderna travestindo latão em ouro. Escreveria sobre o encontro dos olhos mirando as bocas para atingir os corpos. Escreveria sobre eu e tu, sem precisar de mais pronomes e casos pessoais retos. Escreveria sobre ser, não ser e talvez parecer. Escreveria sobre apenas estar.
Mas tudo o eu vejo é o beco. Vazio.
Posted in: Melancólicas, Monólogo, the big empty.
Tagged: block · palavras sem palavras
Jan 31st, 2011
by Camila S..

Ken Wong
Vida em tubo de ensaio, tudo para ser representada. Ajusta-se a química das manhãs, a energia é gasta para girar os pedais que não levam a novo horizonte, moldam-se as noites para serem dormidas. As pílulas lhe trarão a felicidade de não querer mais, a insipidez da água denuncia.
E nada disso jamais aconteceu.
Posted in: humano, Melancólicas, Movimento Retrógrado, the drugs don't work.
Tagged: cerco · is this life? · oblivion · reconfiguração
Jan 13th, 2011
by Camila S..
Dias brancos,
A voz do silêncio
Ecoa no vácuo.

Posted in: poetenhando, rapidinhas.
Tagged: vazios literários
Jan 12th, 2011
by Camila S..

Harvey Chan
Sigo a tua linha
No desenho de nossas paisagens
A graficalização das palavras
Trazidas em redes de borboleta
Dançando de suspiro em sussurro
Sigo a tua linha
Círculo traçado aos meus pés
Refém que sou de ti.
Posted in: l'amour, poetenhando.
Tagged: desenho · domínio · linha · primeiro poemeta de 2011
Dec 15th, 2010
by Camila S..
Voluntariada foi a alma para assassinato.
Levado foi o corpo para depósito.
À deriva
O barco.
Vamos voltar pra casa

Nicholas Hughes
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Posted in: A insustentável leveza do ser, humano, poetenhando, rapidinhas.
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