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BecoSangre

hopeless wino + hopeless romantic x cynical bitch

4 March, 2013
by Camila S.
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Resumindo

Robert Mapplethorpe

E então, menino,
Não é que enfim entendi?

Não somos tão diferentes assim:
Sofremos do mesmo mal.
Tua condição
Cabe também a mim.

Mas ultrapassaste-me no bom senso
E quando penso ter aceito
A condição que nos une, errados
Por mais uma vez a razão é perdida
Quando em outros lábios,
(Como os teus)
Encontro o oblívio.

26 November, 2012
by Camila S.
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O Enforcado Invertido

Molly Crabapple

No imediatismo do gozo
Nosso perigoso jogo
Esconde na informalidade
Um imperativo de armadilha

Adquirida a (im)previsível necessidade
De ter em seus braços minha ilha
É chegada a tormenta
Da obliviedade óbvia.

29 August, 2012
by Camila S.
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High Fidelity

 

Some things you never get used to
Even though you’re feeling like another man

Um grunhido antecede o despertar completo, vez ou outra acompanhado de movimentos mais amplos. O chão pressente o encontro com os pés, mas eles continuam no máximo a se esfregar debaixo das cobertas.
Antes que os pés toquem o chão e o dia comece, há o toque de outro corpo, semi-adormecido ao lado, o corpo que geralmente ocupa aquela mesma cama. O território não é seu, por mais que seus cabelos perdidos diga o contrário.

Why you put your empty arms around me?

A cena se repete como em sonhos dos quais se acorda dentro de outros sonhos. A fita sempre trava nos mesmo frames. Mas o mais correto seria comparar a situação a ensaios de uma peça de teatro cujo diretor temperamental teima em trocar os atores. Menos um. Menos este eu-lírico, que pode tanto ser um eu quanto tantos outros. Uma coisa nesta vida é certa: você nunca é especial o bastante para viver uma experiência inédita.

The thrill is gone
I can see it in your eyes

Em The Freewheelin’ Bob Dylan, o trovador moderno caminha aconchegado em seu par. Você observa a capa do disco e é como se sentisse o vento gelado queimando o seu rosto, um abraço que não está vazio. Aquela imagem, a captura daquele momento, tudo tão familiar. Você já esteve naquele mesmo lugar, sendo aquelas mesmas pessoas. Talvez mais de uma vez. Talvez uma vez só. Nunca? Não sinta-se tão superior. Ninguém será.

Who could hang a name on you?
When you change with every new day
Still I’m gonna miss you

Os pés do eu-lírico tocam o chão, a planta espalhando-se rumo ao equilíbrio. Luz e sombra no quarto com os toques discretos do dia lá fora, no caminho para o banheiro, um suspiro se esconde atrás de um bocejo.
Os jovens caminhando juntos, protegendo-se do frio, fazem parte de uma outra vida.

But don’t think twice, it’s alright

 

 

High Fidelity – Elvis Costello / Why Did I Decide to Stay – Heatmiser / The Thrill is Gone – Chet Baker / Ruby Tuesday – Rolling Stones / Don’t Think Twice, It’s Alright – Bod Bylan

3 January, 2012
by Camila S.
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Efeméride

Pierrot le fou

 

Queria fazer filmes para registrar como a noite se mostrou daquela vez, como a lua se exibia e como o vento soprava. Como as pupilas se dilatavam e contraíam, como as garrafas e os copos se acumulavam. Como aquele banco parecia solitário. Como foi a última parada, como a noite se resumiu e como a luz do dia entrava pela janela. Como estava a manhã e como a tarde acabava.

Mas só mesmo com palavras se afirmaria que aquela foi a última vez que aquilo aconteceria.

14 November, 2011
by Camila S.
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Surrogates

Ryan Thomas Kenny

Somos todos
substitutos
Buscando
substitutos.

Tentativas de
reviver algo
Talvez perdido.

Reverberação.

Espectro de
uma ideia
Talvez nunca
vivida.

Substituída.

18 September, 2011
by Camila S.
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Sem tradução

Nicholas Hugues

Ilunga (tshiluba) – uma pessoa que está disposta a perdoar qualquer maltrato pela primeira vez, a tolerar o mesmo pela segunda vez, mas nunca pela terceira vez.

Os olhos permaneceram deitados sobre o ponto final enquanto a mente saiu rumo a divagações. Visitou lugares abandonados, colocou retratos em movimento, tirou a poeira dos discos encostados, voltou trazendo o gosto amargo à boca.

Fechou os olhos, tirou os óculos e tentou esfregar o cansaço com os dedos. O telefone vai ficar onde está. Talvez haja sabedoria nas palavras que ecoam pelas gargantas do Congo.

14 April, 2011
by Camila S.
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George Hoyningen-Huene

O dia começou com uma mentira. Continuar com a verdade: inviável.
Ônibus, passar o tempo. A volta, sem gaguejar, a voz com traços de indignação. Simulação, dissimulação, insubordinação. O sono era muito, a cama era o fim.

A noite começaria com uma mentira. Qual o mal em fechar as cortinas e encerrar a peça?

Sem mentiras.

Um bar, mais pessoas do que originalmente se esperava. Conheço, conheço, um mar de desconheços. Mais e mais os bares fecham cedo. Gostava da época em que a peregrinação etílica se dava por conta própria, não por razões alheias.
Um grupo, alguns. Uma dupla. Mais de 1000 caracteres antes mesmo de passarem a ser limitados a 140. Garrafas e abomináveis copos plásticos. Risadas e a proteção do álcool contra o vento frio.

O dia vem e todos têm de se esconder nos subterrâneos. Uma despedida desajeitada.
Acaba assim? Há público interessado…

Era só o piloto da série.