Desde o ano passado, a mesma roupa de cama, a mesma capa sobre o sofá, os mesmos papéis no lixo, o mesmo pó sobre o chão. O caos reina.
Mas ainda de fevereiro não chegamos nem à metade.
Todo cambia, todo cambiado. O perfume de roupas limpas por toda a cama e pelo sofá que já não estava atolado de coisas que já eram dadas como perdidas em meio à bagunça, o chão que já brilhava de novo e não imprimia marcas nos pés de quem se atrevia a caminhar sobre ele descalço. A lixeira do quarto, que nem de saco era guarnecida por ser usada apenas de vez em quando (o que conferia ao fato de estar acumulada o caráter de um desleixo de milênios) finalmente vazia…
… não fosse por um pequeno detalhe.
Pode ter sido o vento, um esbarrão, o fio do aspirador, um espectro, uma chacoalhada no véu de Maia; ao fundo da lixeira, perfeitamente alojada de maneira a passar a impressão de que me mirava, estava minha figura impressa em cores vívidas e papel fosco com borda branca de 1mm, sorrindo maliciosamente com uma sobrancelha levantada. Não muito distante estava a data em que a foto havia sido tirada, ao contrário das pessoas ao redor e do espírito da retratada naquela ocasião – assim como em muitas das outras fotos espalhadas pelo pequeno apartamento.
Parou por um minuto diante daquele momento. A retratada devolveu ao retrato a mesma expressão que ele lhe havia roubado e voltou sua mente ao que ainda havia por fazer.










on Feb 9th, 2010 at 1:56 pm
muito bom!mas me deixou com ‘quero mais’.
cadê a continuação? rsrs
on Feb 9th, 2010 at 2:00 pm
ah, quero ver mais fotos tuas por aqui hein… cansei desse tal de sergei, hahaha
on Feb 10th, 2010 at 3:39 pm
foto brincando de espelho.