Escondo-me nas frestas
Enquanto espalho-me em festas
Sob a máscara de lábios de rubi.
Olhos apequenados, sorvendo tudo o que vivi
Risos escancarados, cansados de tanto dizer sim.
Escondo-me no movimento das mãos
Passeando pelas linhas que dizem dizer de mim.
Entrego-me nos vãos que jamais dizem nãos,
Sabedoria cega da carne trêmula que sorri
Rios destemperados que a flâmula do corpo verteu.
Escondo-me no tato que me percorre
Pensando no quanto sofre quem não se encontra assim.
Entristeço-me quando me ocorre não ser eu,
Solidão fria que tanto a vida prometeu a mim.
Esquivo-me seguindo o fato de que tudo morre.
Escondo-me dos ternos olhares,
Enquanto perco-me em tênues toques tentadores.
Entregariam-me os olhos a gritar os interiores,
Entristeceriam-me a eles respostas dissabores,
Esquivo-me então no silêncio das pálpebras à prova de dores.

9 June, 2012 at 9:28 pm
esconder-se, entregar-se, esquecer-se… rir de tudo e de todos. Fugir, talvez… e permanecer, ainda assim.
8 August, 2012 at 11:44 am
está voltando? :)
“Entristeço-me quando me ocorre não ser eu.” coisa linda. é sempre bom dar uma passada aqui, mesmo que demore.
18 August, 2012 at 10:14 am
putz Camis! q lindo!! já tinha lido, mas entrando no portal do ops não resisti, a sua poesia é linda .